Nada melhor que o Corinthians para nos mostrar dia-a-dia que o futebol é uma caixinha caixona de surpresas. Há menos de um mês, a discussão no mundo dos esportes era: quem vai sair para Ronaldo entrar? Eram tantos craques, tantos meias e atacantes formando a frente poderosa do Timão…
E aí, quando você percebe, na escalação do seu time consta: Otacílio Neto, Lulinha e Wellington Saci -que não à toa deram lugar a Fabinho, Túlio e Diogo, na partida desta quarta-feira (28) contra o Botafogo, num Pacaembu mais uma vez chuvoso.
Que fique claro, nada tenho contra os atletas acima citados. Mas é que eu de fato tinha esperanças de que o Coringão jogaria gloriosamente este ano todo, com um time alegre, forte, talentoso. E afinado.
Mas mal começou a temporada e configuraram-se as baixas. Como eu sofro com a ausência do nosso Maestro, sua visão de jogo e distribuição de bolas magistrais! É bem verdade que Souza já mostrou que tem habilidade para fazer esse papel, apesar de a função dele na área ser outra. Mas o sujeito fica meio sem opção de jogo quando a bola sofre tanto para chegar a seus pés -ou quando, prestes a chutar a gol, é atropelado por outro jogador que, cara-a-cara com o arqueiro adversário, manda a pelota lá no meio da torcida.
E quando eu vou ao estádio para ver um jogo feio como o desta quarta -mesmo que tenhamos vencido por 2 a 0-, eu tenho saudades do Jorge Henrique, que tão precocemente teve que se afastar da equipe. E como eu sinto falta do pequeno grande Morais, nosso menino dos passes rápidos na meia. E lá no fundo eu penso que nem Ronaldo Fenômeno daria conta de corrigir o mau posicionamento, os passes errados, as “barberagens futebolísticas”.
Não desmerecendo a nossa vitória, porque no fim das contas são só os três pontos mesmo que interessam. Mas me preocupa o fato de enfrentarmos com tanta dificuldade um time como o Botafogo, que apesar de ter um ataque que funciona bem, tem a pior defesa do campeonato. Como será quando dermos de cara com um clássico?
A nosso favor, sigo elogiando as performances sempre excelentes dos defensores e volantes. As duplas Chicão-William e Christian-Elias são exemplos de raça, coragem e dignidade ao carregar o escudo alvinegro. Alessandro continua jogando com o mesmo empenho de sempre (honestamente não acho que precisemos de lateral melhor) e André Santos está correndo, suando a camisa, cruzando bem e vez ou outra ainda dispara aqueles chutes bombásticos rumo ao gol, que só ele sabe dar.
Em entrevista após o jogo, ouvi o técnico Mano Menezes e o goleiro Felipe (muito bem em campo, aliás) soltarem o mesmo discurso: não é preciso fazer bonito para vencer. Às vezes, joga-se feio, mas de uma forma ou de outra encontra-se o caminho para ganhar. Fato. Sei também que a ausência de tantos jogadores não é culpa de ninguém, senão do destino. Lesões, cartões, supensões fazem parte do futebol.Mas aguentar chuva, ingresso caro, jogo até meia-noite e atuação meia-boca ninguém merece. Muito menos a Fiel.